ATÉ QUE PONTO VALE A PENA O DESGASTE EMOCIONAL POR UM EMPREGO?
- Simony Maia

- 20 de mai. de 2021
- 3 min de leitura
Desde criança o ser humano é condicionado a se preocupar com o futuro. Quando se está na pré-escola, é preciso que aprenda tudo para entrar na escola, quando se está na escola, é necessário que seja o melhor e estude sem parar para entrar em uma boa universidade, e quando termina a faculdade, é a hora de se inserir no mercado de trabalho. A vida é feita de fases, mas algumas delas tiram a essência do homem o transformando apenas em uma máquina de produção. Predestinado a ser produtivo, o trabalhador tem que deixar de lado os seus sentimentos, suas expectativas e apenas produzir, ou pelo menos é isso que a sociedade quer que pensemos. Recentemente assisti ao filme “Soul”. Se engana quem pensa que a animação é apenas algo infantil. “Soul” mostra que durante a nossa busca por algo incrível, esquecemos de olhar ao redor e de se auto conhecer. O personagem principal do filme, Joe, é um professor de música do ensino médio, apaixonado por Jazz, ele passa a vida chateado por não ter conseguido seguir sua carreira musical, até que um dia após muito tentar, ele consegue se apresentar em um show ao lado de sua artista favorita, mas após a apresentação Joe sente que não era aquilo que ele estava esperando. Ele passou a vida toda atrás de algo mais significativo, deixando de lado as suas descobertas e experiências porque estava sempre esperando o futuro, o próximo passo e o momento certo de ser feliz. Soul é uma animação que traz reflexões acerca da vida, do capitalismo e do tempo perdido. A vida é aqui e agora, o filme me fez refletir sobre quão efêmera é a vida para perdermos tempo com coisas e lugares que não nos fazem bem. Aquela história de “trabalhe enquanto eles dormem”, não é saudável, é necessário saber dividir as coisas, respeitar os seus limites e o seu tempo. Não é atoa que o Brasil é o país com mais casos de pessoas com ansiedade no mundo, de acordo com Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mais de 18 milhões de pessoas sofrem com o problema. Muito se fala sobre ser produtivo para o mercado de trabalho, mas pouco se pensa sobre os problemas que a auto cobrança, o assédio moral e a falta de compreensão causam nas pessoas. Pois de acordo com a OMS, o Brasil está em 8º lugar no ranking de países com o maior número de suicídios no mundo. Em um mundo capitalista, é necessário saber cuidar de si mesmo e da sua saúde mental. É claro que todos possuem sonhos e metas, temos sim que correr atrás do que acreditamos e que achamos ser melhor para nós, porém, sempre se lembrando que não importa a onde você esteja, o que estiver fazendo, se algo te faz mal, te afeta mentalmente e te faz duvidar do seu valor como ser humano, é porque isso não é para você e não tem problema desistir e se priorizar. O problema do capitalismo é nos fazer acreditar que temos que suportar toda e qualquer dor. Desistir não nos torna fracos e incompetentes, na vida real, as pessoas são reais, com sentimentos, medos e expectativas, e é exatamente isso que nos torna humanos; a nossa capacidade de cair, se reerguer e seguir em frente.
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